domingo, 29 de janeiro de 2012

considerações sobre a velhice

"Saber envelhecer é um processo contínuo. É aceitar as novas limitações que o tempo traz . É aceitar que um estilo de vida produtiva se fecha para que outro tipo apareça"

Visitando o blog de minha querida amiga Ângela, www.catequistaamadora.blogspot.com deparei-me com um texto interessante com o título: “È bom ser velho...”
Eu já conhecia o texto, que como ela recebi através dessas correntes de email sem autor e que encaminhadas a nós não fazem outra coisa senão “entupir” nossa caixa eletrônica.
Não descrevo o texto. Mas quero deixar também minhas considerações sobre:

GOSTO DE ENVELHECER
O texto deve ter sido escrito por alguém com a nítida intenção de auto  proteção. Como a salvaguardar-se das complicações da saúde e do  convívio social restrito como consequências da velhice  que o tempo inevitavelmente nos traz.
Transcrevo abaixo trecho de um texto que escrevi há uns dois anos atrás e postei no meu antigo blog no uol. Vale a pena relembrá-lo.

A arte de envelhecer

“Envelhecer é uma arte. Não a arte em que dominamos os pincéis e damos as cores que nos apetece.
O tempo é o artista. Comanda os pincéis a seu bel prazer. E nos revela surpresas. O futuro é incerto. E na maioria das vezes não estamos preparados para enfrentá-lo.
A perda de nossa capacidade de agir, de ser independente, a vida sem limitações que nos obrigue a ficar sob os cuidados de terceiros são possibilidades longinquas e até improváveis.
Aos 40/50 anos ou até antes nos pegamos dizendo em forma de gracejo:”É, estou ficando velho”
Não temos a mínima ideia do que seja “realmente” velhice, dependência. A caminhada até aos 80/90 anos parece distante. Ainda há muito a viver.
Acontece que o tempo passa rápido, não sabemos dizer exatamente quando ultrapassamos o limiar entre a tão falada 3ª idade e a velhice propriamente dita.
De forma sutil e traiçoeira as células vão se degenerando. Constata-se a fragilidade do corpo, pele, ossos e quase sempre também da mente que passa a nos pregar peças”.

Envelhecer tem lá as suas vantagens sim. Somos menos críticos, mais amigos de nós mesmos, temos mais tempo para o lazer, viagens etc e tal. Falamos coisas que em outra época nem sonhávamos em dizer, reclamamos , selecionamos nossos afetos . Em contrapartida, como bem disse a Angela, começam aparecer “as novidades”, ou seja , dores, cansaço, invisibilidade, etc . Mudamos nossos hábitos e a “boutique” passa a ser a farmácia .Também não podemos “comer sobremesa todo dia” , como diz o texto. Aí que entra uma parte da  tão falada “sabedoria”. Saber selecionar o que comemos para preservar a saúde.
Com a idade “não se come o que gosta, mas o que faz bem à saúde”. É preciso preservar o sistema cardio vascular. E nada de vida sedentária. É fazer muita atividade física, faça sol ou faça chuva...
E já que estou falando em sabedoria, pergunto eu: De que adianta tanta sabedoria se muitos consideram os velhos seres inúteis, encostados e até empecilhos? São desrespeitados , muitas vezes tem seus direitos negados e alguns são relegados ao abandono mesmo entre familiares.
É preciso sensibilidade e um coração aberto ao acolhimento para perceber os valores que o idoso nos transmite mesmo através do seu silêncio e apatia ou também na dor.
A sabedoria que vem de minha mãe já alquebrada pelos anos que não são poucos, só a percebemos nós que estamos a seu redor diariamente. Para o resto da sociedade é como se ela não existisse.
Somente a convivência diária com um idoso pode nos dar a dimensão do que é “ficar velho”.
É bem verdade que existem exceções. Dias atrás tive a oportunidade de ler numa revista sobre um senhor idoso de 84 anos que corre toda manhã 15 KM . É campeão de maratona com vários títulos conquistados. Um belo exemplo. Ótimo preparo físico. Privilégio de poucos.
Viveremos tanto? Seremos agraciados com todo esse vigor físico? Só o tempo dirá..
Envelhecer não é fácil, mas temos que estar preparados para essa mudança de vida.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Refletindo sobre janeiro


Mais um janeiro que se vai...

E o mês de janeiro já está  expirando. Puxa! Como passou rápido!
Porque será que temos essa sensação de que o mês ou o ano muitas vezes passa tão rápido que mal nos damos conta?
 Seria nosso envolvimento com as atividades do dia a dia? Seria a quantidade de acontecimentos? Ou seria porque procrastinamos tanto que quando percebemos o tempo já passou e pouco ou quase nada foi produzido. Ficamos com a sensação de que falta tempo ou que sobram tarefas...
Os dias não nos esperam. Por isso é preciso ter cuidado para não deixar apenas o tempo passar. É preciso transformar planos em ação.  Retomar atividades ou partir para outras iniciativas.
Em janeiro ainda trazemos  presente em nós um pouco do que passou e também o que desejamos para o amanhã.  É um olhar para o passado concomitante com um olhar para  o futuro. Passado e futuro se misturam no presente.
Olhamos para o ano que passou com um olhar atento e crítico, verificando erros e acertos. Através dessas observações fazemos uma avaliação do que pode ser modificado. Tudo pensando num horizonte mais promissor.
Janeiro é um mês fadado a poucas realizações mesmo. Muitos ainda curtem as férias. Veraneio... praias.
 Outros ainda estão sob o efeito das festanças e gastanças de final de ano. Alguns apertados com as finanças e despreparados para as despesas fixas de janeiro. E olha que não são poucas.
É o IPVA que castiga, o material escolar , a mensalidade das escolas, etc, etc...
Tudo parece acontecer em janeiro: o calor excessivo, as chuvas abundantes, catástrofes climáticas, o comércio que anda mal das pernas porque o povo já gastou no final de ano, o que tinha prá gastar.
Quer saber! Janeiro , que vá tarde! E que venha fevereiro, o mês anão do calendário.
Porque para o brasileiro, o ano só começa mesmo depois do carnaval!


Curiosidades
Janeiro tem esse nome em homenagem a Janus, deus da mitologia grega., era o protetor das entradas das casas e cidades. Em latim, Januarius. Era o responsável por abrir as portas do ano que se iniciava. No antigo calendário romano era o penúltimo mês do ano.
Representado como um Deus de duas faces. Uma voltada para o passado e a outra para o futuro, numa referência a que o mês de janeiro marca o começo de um novo ano, mas também contem elementos do ano que passou.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cuidando da casa

Lar, doce lar!

Minha ajudante entrou de férias por um curto período, e veja o que restou de mim. Uma trabalheira só!...Puxa, fico pensando como é que as mulheres de décadas atrás davam conta de tudo sozinha
Filhos, marido, organizar a casa, abastecer a despensa, lavar, passar, cozinhar sem delegar nenhuma tarefa. Arre... Fico cansada só de imaginar! Eram verdadeiras heroínas. Ou melhor, verdadeiras “Amélias! “Amélia é que era mulher de verdade! “Amélia não tinha a menor vaidade”, compôs Ataulfo Alves em parceria com Mário Lago.
Pobrezinhas! Não tinham era tempo para pensar em vaidade. Além de toda trabalheira, com tudo mais difícil na época, os filhos eram quase sempre em número bem maior que nos dias de hoje. Não se falava em controle da natalidade.
Mas, à sua maneira, dentro do que lhes era possível elas davam um jeitinho e se cuidavam sim. Porque a vaidade faz parte da mulher. Toda mulher tem um pouco de vaidade, tem também suas fantasias, algumas secretíssimas.
E depois, o desejo de todo homem é ter a seu lado uma companheira compreensiva, “descansada”, sensível e perfumada para os prazeres noturnos.
E qual mulher não se esmera em realizar o desejo de seu homem, mesmo que tenha que se desdobrar em esforços?
Cá entre nós, depois da labuta do dia, um chameguinho não faz mal a ninguém, não é mesmo?

ATUALIZANDO
Hoje os tempos são outros. O mundo de hoje pede uma mulher mais participativa e dinâmica. É preciso conciliar vida doméstica com atividade extra lar.
O casamento moderno não dá mais lugar ao modelo antigo onde o homem era o provedor e a mulher se resumia às funções de mãe e dona de casa. Presume-se que as responsabilidades sejam divididas e todos tenham direito ao amor e ao prazer.
A facilidade de acesso aos eletros domésticos cada dia mais modernos, também “quebram um galhão”. Difícil viver hoje sem essa parafernália de eletrodomésticos que temos em nossa cozinha e nossa  grande amiga lavadora de roupas. O tempo das “Amélias” ficou lá atrás.
É, ainda bem que os tempos mudaram... Já pensaram ter que ralar no tanque, esfregar o chão, varrer quintal, se debruçar na pia lavando aquela pilha de louça, levar filho na escola e ainda ter ânimo para se depilar, fazer unha, sobrancelha, se maquiar, cuidar do cabelo e  se preocupar em ficar esbelta e “gostosona” pro maridão?
Bem, mas para levantar um pouquinho o ânimo e fazer com mais prazer os trabalhos domésticos aqui vai uma boa notícia: Você sabia que uma sessão de faxina completa queima tantas calorias quanto uma aula de ginástica? Um total de 1200calorias, dizem os entendidos no assunto. Sabe por quê?
As tarefas domésticas trabalham a musculatura dos membros superiores, peitoral e dorsal devido ao uso contínuo das mãos e braços. E ao subir a escada para limpar no alto, acabamos reforçando abdômen, glúteos e panturrilha. (Isso se você não cair...)
E então, se animou? Eu de cá digo que não. Queimar calorias fazendo faxina? Eu, heim! Prefiro queimar a conta de energia elétrica. Quanto mais eletrodómesticos para ajudar melhor...E de quebra, uma faxineira não faz mal a ninguém...
 Ah, só um lembrete: Não deixem de dar seu toque pessoal na sua casa. Afinal ela é o lugar para onde voltamos todos os dias e gozamos de nossa privacidade. Queremos passar ali nossos melhores momentos. Então, o que fizer, faça -o com prazer, sem se escravizar. Mas transforme seu cantinho num ambiente convidativo e com a sua cara. Transforme-o num “lar-doce-lar!”

domingo, 22 de janeiro de 2012

Idoso também tem direito a um bom tratamento

~`Enquanto ha vida, ha esperanca`~
Hoje, não sei bem porque, acordei repentinamente com o rosto de minha mãe surgindo à porta. Com um semblante  que demonstrava  inquietação apesar do leve sorriso nos cantos dos lábios, dizia que queria “ir embora”.
Tudo parecia tão real, mas acordei abruptamente. Era só um sonho!
Sonhos assim deixam-me preocupada. Podem significar bons ou maus presságios. Ou nada mais do que o reflexo de uma preocupação escondida no subconsciente e liberada em sonhos.
Toda essa sua mudança de comportamento ocorreu após uma queda que a deixou prostrada por alguns meses.
Desde então, ocorre períodos de confusão mental e desorientação espacial. Mostra-se apática e às vezes tem dificuldade em reconhecer pessoas de seu convívio.
Toda ajuda médica que já buscamos, apenas serviram de paliativo através do uso de tranqüilizantes.
Pelo menos a sua irritabilidade e temperamento agressivo  o medicamento conseguiu conter Restou essa desconexão de espaço e tempo.
Quando bate a insegurança e o desejo imaginário de voltar para onde considera “sua casa”, haja argumentos para convencê-la de que está em sua casa segura e protegida!
É como uma criança que se sente insegura e temerosa longe de sua casa, seus “brinquedos”, de sua cama...
Se eu pudesse a levaria para esse seu “mundo imaginário”, esse seu cantinho confortável e seguro, fruto de sua imaginação doentia.
A medicina peca porque não nos informa sobre o que está acontecendo. Nem tampouco orienta como proceder.
Pesquisando, descobri que uma queda traz conseqüências danosas para o idoso, porque a idade os deixa mais vulneráveis.
Impacto forte na cabeça como ocorreu com ela, acarreta danos ao fluxo sangüíneo do cérebro. Ocorre então o traumatismo craniano encefálico. Um mal que só pode ser detectado através de exames específicos.
E existe algum profissional preocupado em dar atenção especial e de direito a uma senhora idosa de 95 anos? Afinal, ela já viveu tanto! O que se espera mais nessa idade, dizem eles...
“Enquanto há vida há esperança” frase clichê, mas que a medicina não segue.
Esquecem o juramento que fizeram...

sábado, 21 de janeiro de 2012

O X da questão

Tive conhecimento desta crônica de Mário Lago e quis compartilhar.
.Mário Lago foi grande ator e compositor brasileiro. Faleceu aos 90 anos, em 2002, deixando uma rica contribuição artística e literária para nosso povo.

Este texto de grande inteligência além de ser hilário, mostra a complexidade de nossa língua portuguesa.
 Eu achei o ecstraordinário ...ou seria estraordinário( extraordinário) ? E você?

 

 No quadro-negro estava escrito que as palavras com acentuação tônica na última sílaba são oxítonas e Nino quis saber como se pronunciava aquele x. 
— Como se fosse cs.
O ano letivo estava no fim e Nino perguntou quando seriam os ecsames.
— Não é ecsames, Nino.
— A tia disse que x se diz cs.
— Na palavra oxítona. Em exame soa como z.
 Nino tinha 15 anos e ainda no 1° grau. Seu pai prometeu férias na Disneylândia se passasse. Inútil. Reprovado.
— Tia, dei vezame.
— Não é vezame.
— A tia falou: x vale z.
— Em exame. Em vexame é como se o x fosse ch.
 O menino descendia de italianos, sua aprovação envolvia honra pátria. Três explicadores. Nota 9 na recuperação.
— Muito bem, Nino.
— Tia, eu sou o máchimo.
— Não é máchimo, menino.
— X não é igual a ch?
— Em vexame. Em máximo, o x soa como c. Mas você passou. Ótimo.
— Eram tectos fáceis.
— Na palavra textos, o x se pronuncia como s.
 As primeiras vítimas da fúria de Nino foram Ximena, a professora, seu irmão Alexandre e o Xavier da farmácia. No Manicômio Judiciário, onde está há 20 anos, já matou Xisto, enfermeiro-chefe, e um chinês, porque acha que a palavra se escreve com X.


Crônica extraída do livro 16 Linhas Cravadas, de Mário Lago (1911-2002), Editora Publisher Brasil, 1998