sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A VIDA COMO ELA É...



Cheguei à Clínica de olhos pela metade da manhã. Dezenas de pessoas já aguardavam na sala de espera. Não era preciso muita imaginação para deduzir que a espera seria longa.
Enquanto aguardava , passeei meu olhar pelo recinto, inclusive porque estava atenta a buscar um lugar assim que alguem se levantasse.
Todos ali com o mesmo objetivo: sanar ou pelo menos aliviar o mal oftalmológico que o limita.
Eu particularmente, estava ali para realizar alguns exames que detectariam a evolução do glaucoma descoberto casualmente em consulta rotineira ao oftalmo.
Tal como o pneu de um carro, o olho tem uma pressão interna. O glaucoma resulta de uma incapacidade para regular corretamente esta pressão. Quando a pressão no interior do olho for muito elevada, pode causar danos aos nervos ópticos. Se não for tratado, o glaucoma pode causar cegueira.
A partir desse diagnóstico, faço controle regularmente.
Em estágios iniciais, o glaucoma pode ser facilmente tratado com gotas oftálmicas. Em casos mais graves, o tratamento pode envolver o laser ou a cirurgia. Os nervos que já estiverem danificados não podem ser recuperados, mas os nervos saudáveis podem ser protegidos.
Enquanto observava, notei rostos apáticos, indiferentes ou de olhar abstraído, todos muito sérios e concentrados.
 Mas o que chamou-me a atenção foi uma jovem e simpática mamãe com seu bebê no colo. Aparentava ter menos de um ano, muito bem cuidado e esperto. Deduzi que o paciente era o bebê, caso contrário a mãe não o teria levado consigo. Alguma doença congênita ,talvez. 
 Não pude evitar de fazer uma comparação com o frágil senhorzinho que caminhava com dificuldade apesar de estar apoiado em um andador. Percebi quando o vi tatear para se sentar que a visão pouco lhe ajudadva.
Dois extremos: uma criança que necessita corrigir provável dificuldade oftalmológica para se sentir inclusa na sociedade. Tem uma longa caminhada pela frente, muitas conquistas a serem feitas, muitos sonhos a realizar. Enquanto o bom velhinho apenas gostaria de enxergar melhor para melhor caminhar e conquistar uma maior independência nesta última fase de sua vida..
Dois sonhos, duas realidades opostas. Dores que precisam ser aplacadas e que tornam as pessoas tão vulneráveis.
É a vida como ela é”. Não “a vida como ela é”,  tão bem retratada pelo jornalista  e escritor Nelson Rodrigues. Mas a realidade do cotidiano de nossas vidas muitas vezes tão sofrida, onde esperança e desesperança se mesclam e se confundem dando um colorido triste e muitas vezes pessimista à vida.
Naqueles rostos, inclusive em mim, pude sentir toda vulnerabilidade a que o ser humano está exposto. Em nossos semblantes estava o sinal de que muitas de nossas dores não poderão ser aplacadas e que grande parte das necessidades que trazemos conosco jamais serão plenamente satisfeitas.

4 comentários:

  1. Fizeste uma sábia e linda reflexão dessa observação na sala de espera.Valeu! beijos,lindo fds!chica

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    1. Pois sim , Chica. É nesses momentos que nos deparamos com a realidade dura da vida que muitas vezes nos passa despercebida.

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  2. Edite, você é mesmo uma pessoinha bem especial, né?

    Linda essa sua observação, seu jeito emocionado e ponderado de ver as dores alheias...

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    1. abe Ana, é nestes lugares que nos deparamos com as dores alheias...e isto sensibiliza.

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