terça-feira, 17 de setembro de 2013

Uma vida que se esvai...

... como uma vela que se apaga

Eu fico observando minha mãe. A cada dia mais frágil. Os passos lentos e cansados já não suportam nem a bengala. É preciso um andador para que se sinta melhor equilibrada, mais confiante em cada passo que dá..
clact, clact, clact … lá vai ela pelo quintal apoiando -se no andador, se arrastando pelo quintal para tomar o seu banho de sol.
É triste ver minha mãe assim sumindo a cada dia., consumida pela própria existência. Como um pavio que tremula ao vento., um pavio prestes a apagar-se, mas que valentemente resiste às investidas do tempo.
Olho para aquele corpo já sem forma , mas que um dia já teve sua beleza
As pernas que também já foram ágeis e fizeram longas caminhadas....
Olho para aqueles braços magros onde a cada dia sua musculatura se retrai. Olho para suas mãos tão carcomidas, veias aparentes e imagino quando e onde foi que elas perderam a destreza, perderam a beleza.
Mas não perderam o dom de servir.
Difícil ver minha mãe irritada, ranzinza. Ela sempre tem um sorriso no olhar , sabe ser gentil e hospitaleira. Suas mãos ainda que lentas sabe apontar uma cadeira para que eu me sente ou me comanda até a mesa para tomar um cafezinho. O mesmo faz com qualquer pessoa que chega à casa..

Gosta de servir, ser gentil. Uma qualidade dos mais velhos . Principalmente de pessoas como minha mãe que viveram numa época onde gentileza e hospitalidade eram qualidades comuns às pessoas. Onde a vizinhança se visitava, faziam préstimos um ao outro. . Conviviam todos como uma grande família.
Diferente dos dias de hoje em que muitos aboliram de seu vocabulário palavras de gentileza. Diferente dos dias de hoje onde cada um se dá o direito de ficar recluso em casa, muitas vezes ignorando dificuldades com o vizinho do lado.
É a evolução dos tempos . Com a ressalva de que as pessoas mais antigas não acompanharam essa evolução.
Observando minha mãe eu percebo que a cada dia mais amplia suas “decolagens”. Não se situa e está sempre querendo “voltar para casa”. Esquece que moro bem ali do seu lado e sempre pergunta “quando foi que cheguei”.
Não tem como não se enternecer diante disso tudo. Não tem como não pensar que um dia ela já foi como eu... e que um dia posso eu estar como ela...
É triste, mas é a realidade da vida.
O que nos prepara o futuro?


"Convivendo com minha mãe eu  me deparo com minha própria fragilidade e reflito sobre a efemeridade da vida."   ( edite)

 " A convivência com idosos é nos dá a verdadeira dimensão do que é envelhecer"  ( edite)

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2 comentários:

  1. Também convivo com esses cenas de fragilidade diante da vida com minha mãe! Tão triste! beijos,chica

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