sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Um lugar na janela - resenha


Sobre a autora

Eu nunca havia lido romance ou crônica de Martha Medeiros, escritora gaúcha , a não ser frases esparsas que se encontram aqui e ali.
Sua obra mais popular , “Divã “, publicada em 2002, teve grande repercussão pela TV , quando logo após o sucesso no teatro com a peça homônima, foi também apresentada em filme e depois em série de TV. Todas tendo como protagonista a simpaticíssima e talentosa Lília Cabral no papel de Mercedes.

Ao cair-me às mãos, “Um lugar na janela” de início já me cativou e solidificou minha admiração pela autora.

Um Lugar Na Janela Livro Martha Medeiros


Sobre o livro:

Um lugar na janela , livro onde a autora faz relatos emocionantes e verdadeiros de suas incríveis viagens.
Você pode encontrá-la acompanhada ou sozinha. Com o namorado, marido ou filha. Com o roteiro todo esquematizado em excursões , apesar de não ser esse o seu fraco. Mas também vai encontrá-la tendo que recorrer a amigos ou amigos de amigos dispostos ou não a recepcioná-la. Bons hotéis ou hotéis nenhuma estrela.
Acompanhar Martha Medeiros em seus roteiros turísticos, não deixa de ser também uma grande aventura para o leitor.

Ao longo da leitura vamos adquirindo tal afinidade com a autora, ficamos tão contagiados pelas suas descrições a ponto de desejarmos nós estarmos ali vivenciando tais experiências.
Não sou  muito de viajar. Meu currículo de viagens é fraco e talvez nunca chegue a ser assim tão competitivo como o que acabo de ler.
Como tenho em meus planos uma viagem programada para o Peru , em meados do ano, assim que tive o livro em mãos fui correndo ler as aventuras de Martha em Machu Picchu e deserto do Atacama, roteiro prometido em nossa excursão.
Ela assim se expressa ao falar da grandiosidade das montanhas:
"As montanhas que cercam Machu Picchu ou nos fazem rezar, ou nos fazem calar. Não há a menor chance de se ficar indiferente ou tagarelando sobre banalidades”
Em resumo, é de "tirar o fôlego”. “ Machu Picchu não precisa de efeitos: é um efeito” “E muito mais impactante que nas fotografias”. “Baixa em nós a clara consciência do quanto somos pequenos em contraste com uma natureza tão majestosa”.
Termina dizendo sobre o quanto teria perdido em deslumbramento, caso não tivesse aproveitado essa oportunidade, visto que nunca alimentara muito entusiasmo em visitar as muralhas incas.
E assim segue Martha com relatos emocionantes sobre as paisagens exóticas, a culinária local, igrejas e museus. Enfim, as recordações de cada local explorado.

Santiago do Chile, Grécia, Japão, Nova York, Paris, Marrocos, Istambul e tantos outros locais de onde ela deixa sempre uma mensagem positiva despertando no leitor desejos e sonhos adormecidos.

Mas , Martha já no começo do livro faz um alerta:

Se você é do tipo que não consegue se maravilhar com o que está vendo porque está mais preocupado com os mosquitos, os remédios, as gorjetas, o fuso horário e em checar os e-mail do trabalho, não viaje. (…) Viajar é para quem tem espírito desbravador, mas se você não tem, não tem.” 

E ao final do livro ela diz:


Viajar não cura sofrimentos, mas nos faz perceber que podemos ser bem mais do que turistas esporádicos- podemos , isso sim, ser viajantes durante os 365 dias do ano, em qualquer lugar em que se estiver, incluindo onde mora. Comprometer-se com o encantamento contínuo pela vida não impede desconfortos do coração, dívidas com o banco ou conflitos familiares, mas dá uma trégua prá alma”.

Um lugar na janela é um convite para deixar a comodidade do sofá, as defesas e embarcar junto com Martha. O bom viajante é aquele que está aberto a imprevistos, ou seja , a viver”